Estudante de biomedicina investigado por morte de mulher em procedimento estético é preso após voltar a fazer atendimentos em Curitiba
01/04/2026
(Foto: Reprodução) Estudante de biomedicina investigado por morte após procedimento estético é preso
O estudante de biomedicina Erick Avelaneda Ferreira de Souza, de 21 anos, foi preso por exercício ilegal da medicina na manhã desta quarta-feira (1º), em Curitiba. Ele é investigado pela morte de Silvana de Bruno, de 66 anos, após complicações de um procedimento estético. Relembre caso abaixo.
Segundo a Polícia Civil (PC-PR), a prisão ocorreu após denúncias de que Erick continuava realizando procedimentos estéticos invasivos durante a investigação.
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Silvana de Bruno pagou R$ 15 mil pelos procedimentos estéticos feitos pelo estudante. Após as intervenções, a vítima teve um choque séptico e infecção de pele e partes moles, o que a levaram à morte, no início de outubro, em Curitiba.
“Mesmo depois de ser investigado por uma morte, ele voltou a realizar procedimentos invasivos. Isso demonstra um total desrespeito à Justiça e risco à população”, disse a delegada Aline Manzatto.
As equipes policiais cumpriram mandado de prisão e de busca no endereço do investigado. No local, foram apreendidos medicamentos e materiais utilizados em procedimentos, como seringas novas e usadas.
Eurípedes Cunha, advogado responsável pela defesa de Erick, afirmou que não teve acesso ao processo, que está sob sigilo, e classificou a prisão do cliente como ilegal e arbitrária.
"Tão logo tenhamos acesso ao processo, nós vamos entrar com os recursos pertinentes e tomar as medidas necessárias a isso", afirmou.
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Ameaças
A delegada Aline Manzatto afirmou que a polícia recebeu uma denúncia de que Erick continuava realizando procedimentos estéticos, mesmo durante a investigação. Uma testemunha soube do caso e alertou duas pacientes, que desistiram do atendimento.
Segundo a delegada, após o cancelamento, o suspeito passou a ameaçar a mulher que fez o alerta.
"Quando desmarcaram o procedimento com ele, a pessoa que alertou essas mulheres foi ameaçada. Ele foi falar que ela tinha mexido com o capeta e que ela ia sofrer consequências, tanto em relação à ela, quanto ao estabelecimento dela", disse.
A polícia informou que as pacientes que chegaram a realizar os procedimentos com ele não tiveram complicações.
Polícia investiga morte de Silvana de Bruno depois de ela fazer uma série de procedimentos estéticos
Reprodução
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam medicamentos, seringas com conteúdo desconhecido e materiais com sangue que não haviam sido descartados corretamente.
Ainda conforme a delegada, o suspeito passou a atender pacientes nas casas delas, sem condições adequadas de higiene.
Erick deve responder por homicídio doloso qualificado pela morte de Silvana de Bruno, cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão. Além disso, também pode responder por crimes relacionados ao uso de substâncias impróprias ou de procedência desconhecida, com penas que variam de 10 a 15 anos.
O g1 procurou também o Conselho Regional de Biomedicina (CRBM) e aguarda retorno.
Relembre o caso
Materiais apreendidos pela Polícia Civil com o estudante de biomedicina Erick Avelaneda Ferreira de Souza.
PCPR
Segundo a polícia, Erick se apresentou à vítima como dentista e biomédico. Ainda segundo a corporação, a vítima conheceu o trabalho do estudante por meio das redes sociais, nas quais ele divulgava a realização de procedimentos estéticos, como preenchimento labial e aplicação de estimuladores de colágeno.
De acordo com a família, Silvana passou por três procedimentos, entre eles aplicação de plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios.
Conforme a polícia, após o procedimento, Silvana foi para um hospital, onde ela ficou internada, foi submetida a uma cirurgia de mastectomia total, com retirada completa das mamas e parte do tecido do tórax. Ela não resistiu à infecção e morreu no hospital.
Procedimentos eram feitos em salas alugadas
As investigações apontam que Erick realizava os atendimentos em salas alugadas por dia, nos bairros Centro, Campo Comprido e Cabral, em Curitiba.
Em um dos locais, a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária encontraram seringas e medicamentos, que foram apreendidos.
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