Secretaria de Educação do Paraná pede afastamento de direção de colégio cívico-militar que instalou câmera em banheiro feminino
21/10/2026
(Foto: Reprodução) Núcleo Regional de Educação vistoria colégio após denúncia de câmeras em banheiros
A Secretaria de Educação do Paraná (SEED-PR) pediu, nesta quarta-feira (21), o afastamento da direção do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no Norte do Paraná. A medida foi solicitada dois dias após uma câmera ser encontrada no banheiro feminino da instituição.
De acordo com o secretário Roni Miranda, foi assinada uma resolução que proíbe câmeras em banheiros ou vestiários em qualquer ambiente escolar.
"É uma questão óbvia de não colocar câmera dentro do banheiro, já temos leis federais sobre isso, mas também publiquei uma resolução. A partir disso, está proibida, em qualquer ambiente escolar, que tenha banheiros ou vestiários, a colocação de câmeras", disse Roni Miranda.
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O equipamento foi encontrado na última segunda-feira (19) por uma estudante. No boletim de ocorrência que as alunas registraram, elas contam que perceberam que o equipamento estava no local há aproximadamente três anos. Entretanto, a direção havia dito, à época, que se tratava de um sensor de fumaça para evitar que estudantes fumassem no ambiente.
Nesta quarta-feira, a Polícia Civil (PC-PR) e a SEED-PR fizeram uma vistoria no colégio. A polícia apreendeu a câmera, que uma jovem havia guardado. A RPC, afiliada da TV Globo, apurou que os policiais também procuravam outra câmera e o dispositivo em que as imagens eram gravadas. Contudo, não há confirmação se foram localizados.
Câmera foi encontrada no banheiro
Reprodução
Em nota, a SEED diz não ter localizado câmeras nos banheiros nesta quarta. Contudo, uma comissão foi instaurada para apurar os fatos.
O colégio confirmou a instalação das câmeras e negou captar imagens de dentro das cabines. Segundo a instituição, as câmeras "estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes".
A polícia informou que instaurou inquérito policial e está em diligências para apuração dos fatos.
Alunos não sabiam sobre câmeras
Aluno registrou painel das câmeras de segurança
Reprodução
Depois que a aluna encontrou a câmera, outro estudante fotografou o sistema de monitoramento do colégio e registrou como eram os vídeos captados, mostrando as cabines e espelhos dos ambientes — incluindo o banheiro masculino.
As câmeras instaladas em outros espaços não têm o mesmo formato e estão expostas.
A aluna Alessa Gabriele contou à RPC, afiliada da TV Globo, que os responsáveis pelos estudantes não assinaram nenhum termo que autorizasse as imagens nos sanitários.
"Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares", disse Alessa.
Infográfico: Câmeras foram instaladas em banheiro de colégio
Artes/g1
O que o colégio diz
"Prezados pais e responsáveis,
Circulou em alguns grupos uma imagem do sistema de monitoramento do colégio.
Esclarecemos que as câmeras mencionadas estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. Sua finalidade era acompanhar os acessos e contribuir para a segurança escolar.
Conforme as informações levantadas pela direção até o momento, um estudante entrou sem autorização na sala dos monitores militares e acessou o computador utilizado pela equipe, registrando a imagem posteriormente compartilhada. As circunstâncias desse acesso e da divulgação serão apuradas, preservando-se a identidade dos envolvidos.
Também foram registrados, nesta data, atos de vandalismo, com a retirada à força das câmeras dos acessos aos banheiros. O colégio adotará as medidas administrativas cabíveis e os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes, assegurando a apuração dos fatos e a escuta dos envolvidos.
Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, a dignidade e a privacidade dos estudantes. O monitoramento de salas de aula, corredores e acessos integra as medidas de proteção do ambiente escolar e deve respeitar esses direitos.
Pedimos às famílias que busquem esclarecimentos diretamente com a direção e evitem compartilhar imagens de segurança ou informações sem verificar seu contexto. Contamos com a parceria de todos na orientação dos estudantes sobre o respeito aos espaços de acesso restrito, aos equipamentos e ao patrimônio público".
O que a SEED diz
"A instalação de câmeras em locais que comprometam a intimidade e a privacidade dos estudantes não é permitida nas escolas da rede estadual do Paraná. O tema, inclusive, é abordado nos encontros de formação dos profissionais da rede, que tratam dos direitos e das garantias previstos na Constituição Federal (artigo 5º, inciso X), na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A resolução encaminhada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) às instituições públicas de ensino tem como objetivo reforçar as orientações e os princípios legais já trabalhados pela Secretaria junto à rede estadual.
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) informa que a Resolução nº 5.206/2026 proíbe a instalação e o uso de câmeras em banheiros e vestiários das instituições de ensino estaduais, inclusive equipamentos externos que permitam captar imagens desses ambientes.
Sobre o caso do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, a Seed-PR determinou que o NRE realizasse uma vistoria nesta quarta-feira (21). A vistoria foi realizada e não foram encontradas câmeras nos banheiros.
Uma comissão já foi instaurada para apurar os fatos, esclarecer as circunstâncias e indicar os encaminhamentos cabíveis. Uma equipe multiprofissional também está na instituição para atender os alunos e a comunidade escolar.
A Seed-PR reforça que o descumprimento da resolução poderá resultar na apuração de responsabilidades administrativas, civis e penais, conforme o caso, e que o monitoramento escolar deve respeitar a privacidade, a dignidade e a segurança de toda a comunidade".
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